Publicado por: correnteviva | setembro 26, 2009

A criança ferida de cada um

 

 

Com base no autor John Bradshaw, quero trazer para reflexão um tema bastante importante e que pode ser usado em nosso cotidiano. No seu livro “Volta ao lar”, Ed. Rocco – 2002, Bradshaw nos apresenta um conceito novo de “Criança interior ferida”, no qual ele chama acrianca atenção de como uma criança ferida pode ser um adulto ferido.

Segundo ele, quando o desenvolvimento de uma criança é interrompido, sentimentos são reprimidos, especialmente sentimentos de raiva e de mágoa. A pessoa torna-se um adulto com uma criança zangada e magoada dentro dele e essa criança contamina espontaneamente o comportamento do adulto. Uma criança interior, negligenciada e ferida no passado, é a maior fonte da infelicidade humana.

Antes de continuar falando sobre o assunto, gostaria de chamar a atenção para que tomemos cuidado para que essa idéia da criança ferida não se torne uma válvula de escape para comportamentos desajustados, nem que justifiquem certas frases como: “sou assim mesmo e não vou mudar”, pois segundo Bradshaw, nós precisamos recuperar nossa criança ferida. Até o momento em que a recuperamos, ela continuará a agir mal, contaminando nossa vida de adulto.

O autor descreve alguns modos pelos quais a criança interior ferida contamina nossa vida. Ele enumera um total de 11 modos e por isso me proponho a colocá-los aqui em duas etapas, de modo que continuaremos esse assunto no próximo mês.

1- Co-dependência: ser co-dependente é perder o contato com os próprios sentimentos, carências e desejos. Num ambiente familiar de violência (química, emocional, física ou sexual), a criança poderá desenvolver comportamento de co-dependência, pois as carências da infância não foram atendidas e que a criança não sabe quem é.

2 – Comportamentos Ofensivos: Aqui o autor fala de comportamentos ofensivos agressivos. A criança interior ferida é culpada por grande parte da violência e da crueldade que há no mundo. É resultado da violência na infância, da mágoa e da dor não resolvidas. Torna-se o adulto agressor.

3 – Distúrbios narcisistas. Toda criança precisa ser amada incondicionalmente. Sem o espelho, dos pais e responsáveis, a criança não tem meios de saber quem ela é. Todos nós precisamos saber que somos importantes, que somos levados a sério e que cada parte de nós é digna de ser amada e aceita. Sem essas necessidades atendidas, contamina o adulto com uma sede insaciável de amor, atenção e afeição e por mais que sejam amadas, nunca estão satisfeitas.

4 – Problemas de confiança: Não podendo confiar nos seus responsáveis, as crianças desenvolvem um profundo sentimento de desconfiança em que o mundo parece ser perigoso, hostil e imprevisível.

5 – Comportamento de repetição: a criança ferida repete com seus atos as carências não atendidas na infância. As emoções são o combustível com o qual nos defendemos e com o qual procuramos atender nossas necessidades básicas.

As repetições podem ser externas quando repetimos os atos de violência contra os outros, ou também internas, quando as agressões são em si mesmo. Nós nos punimos como nos muniam na infância.

No próximo artigo veremos mais seis modos de sabotagens praticadas pela criança interior ferida em nossas vidas.  Nunca devemos nos esquecer de que a resiliência é um fator importante de maturidade do indivíduo. Ela será o diferencial de respostas de um indivíduo para o outro, diante das suas experiências frustradas no passado. Como nos apresenta Freud na psicanálise, são muitos os mecanismos de defesa do ego para tentar estabelecer e fazer a manutenção do equilíbrio dinâmico. O conflito psíquico é inevitável no ser humano.

Sem a intenção de tentar espiritualizar a teoria psicológica, gostaria de contribuir indicando uma leitura complementar da Carta de São Tiago 3 e 4. Acredito que muitas das rivalidades que existem em nossas comunidades, grupos sociais, etc. são conseqüências de realidades internas mal resolvidas e projetadas para o exterior. Busquemos refletir sobre isso.

 

Pe. Benedito Carlos Alves dos Santos

Mestre em Direito Canônico

Psicólogo/ CRP 06/95693


Responses

  1. muito bom,
    encontrei muita similaridade com o conceito de perda e resgate da alma, muito discutido no xamanismo. creio que se trata do mesmo assunto.

  2. Gostaria de ver o complemento deste texto .
    Já procurei no blog mas não achei.
    Gostaria também, se fosse possivel, receber os posts deste blog.
    Obrigada,
    Alice

  3. Muito revelador esse artigo. Que nos sirva de lição e assim passemos a tratar melhor a criatura humana principalmente, as crianças. Outro site muito im portante que serve também para nos cnhecermos é http://www.saltoquantico.com.br


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