Publicado por: correnteviva | maio 17, 2010

A escassez de todos os recursos no semi-árido

Uma população jovem, mas com futuro ameaçado pelos graves indicadores sociais. Essa é a realidade do semi-árido brasileiro. A região, formada por 1500 municípios do nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo, sofre com a falta estrutura básica como moradias adequadas, luz e água e, além disso, 75% das famílias vivem com rendas mensais inferiores a um salário mínimo.

A escassez das chuvas e a falta de água são as principais causas da fome e miséria dessa população. O produtor rural Enio Silva, lembra que no último ano choveu apenas duas vezes. “O rio é o que mantém a população ribeirinha. Sem rio cheio, a barriga fica vazia”, lamenta o produtor rural.

Para sanar o problema da falta de água, o Governo Federal lançou um programa para construir 1 milhão de caixas d’água para armazenar a água da chuva. Nélio Antunes, participante do programa em Minas Gerais, relata que cada caixa comporta até 15 mil litros, o que é suficiente para uma família de oito pessoas durante seis meses. Mas apenas 2% desses reservatórios foram construídos até o momento. Outros programas sociais do governo chegam de forma desorganizada e, muitas vezes, para quem não precisa. Para a assistente social, Maria Antonia Ferreira, o grande problema na distribuição do benefício foi a falta de diagnóstico prévio para conhecer a realidade da região.

O semi-árido detém uma outra triste realidade. Nessas cidades, para cada mil crianças nascidas vivas, 65 morrem antes de completar um ano (No resto do país a média é 35). Esse alto índice deve-se ao fato de que poucas mulheres fazem o exame pré-natal e acompanhamento médico durante a gravidez. 75% das mulheres grávidas realizam menos de quatro exames durante o período de gestação, enquanto o mínimo recomendado são seis. Além disso, 10% das crianças com menos de 2 anos de idade são desnutridas, resultado da má nutrição das mães.

O acesso à escola também é um problema. Quase metade dos analfabetos do país está no semi-árido. Na zona rural, por exemplo, é muito difícil encontrar um adulto que saiba ler e escrever. Já as crianças precisam fazer longas viagens poder estudar. Como Isabela, 13 anos, que acorda todos os dias às 5h30 para chegar ao colégio, que fica a 35 quilômetros de sua casa. Mas a grande maioria, cerca de 400 mil crianças e adolescentes, precisa abandonar os estudos e é obrigada a trabalhar para ajudar no sustento da família.

A região é marcada pelo abandono estatal e enquanto nada for feito, continuaremos vendo as cenas de crianças e adultos caminhado longas distâncias com baldes de água na cabeça, famílias na miséria, crianças fora da escola e muitos bebês morrendo dentro da zona com o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil.

Antonio Saturnino, jornalista e colaborador da Rede Corrente Viva


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