Publicado por: correnteviva | outubro 15, 2010

Leonardo Boff faz um alerta para a crise da civilização

“Nós estamos no momento da história em que a humanidade deve formar uma aliança global, cuidar do outro e da Terra”. Foram essas palavras enfáticas do teólogo, filósofo e escritor Leonardo Boff que abriram a palestra realizada para cerca de 200 pessoas na Igreja Santíssima Trindade, no Campos Elíseos, em São Paulo

Leonardo Boff manifestou seu sentimento de urgência em relação à vida da humanidade na Terra. Ele explicou que a Terra consegue sobreviver sem a humanidade, mas que nós humanos não conseguiremos mais viver sem termos cuidados com o planeta.

Algumas estatísticas explicam porque a emergência em salvar o planeta para manter a nossa espécie. O aquecimento global, por exemplo, é um efeito que já está acontecendo no Terra, “já estamos inseridos nele”, disse Boff. Na prática não da mais para prevenir o que aconteceu e, sim, agir para que esse aquecimento não aumente ainda mais. Segundo estudo da Universidade de Harvard, o aquecimento da Terra hoje chega a dois graus. Em 2040 chegará a 3 graus. Com essa situação, no fim do século, não existirá mais nenhuma vida humana na Terra.

Apesar do planeta ser constituído em 75% de água, apenas 3% são potáveis e, atualmente, temos cerca de 2 bilhões de pessoas sem água no mundo.

“Se hoje quiséssemos o bem-estar para todos que vivem na Terra, precisaríamos de mais três planetas semelhantes a esse”, exclamou Boff. Diante dessa calamidade temos agravantes que continuam acontecer, por exemplo, a capacidade consumista do ser humano. A humanidade consome 30% a mais do que a Terra pode repor, sendo que os mais ricos consomem cerca de 82,4% de toda riqueza que há na Terra, o que sobra 1,4% dos recursos para os mais pobres.

Para Leonardo Boff, a única solução é um reencantamento para com a Terra, onde exista a união de todos em prol de todos e da natureza. Onde podemos ter cuidado com tudo que existe e vive. Para isso é necessário que mudemos alguns dos paradigmas que se perpetuaram no mundo durante séculos como o do individualismo. O espírito de cooperação é uma das atitudes que deve ser incorporada. “O ser humano não vive, ele convive”, argumentou Boff.

Para finalizar, Boff falou que dentre outras atitudes para superação dessa crise da civilização é interessante fortalecer o capital espiritual que nunca se esgota. Ele também apresentou duas formas de justiça. A social: boas relações entre os humanos, criando condições de moradia para cada um, além de comida e segurança. Outra forma é a ecológica para o bom tratamento da natureza. “Quando vimos uma planta devemos pensar que ela está lá sempre naquele mesmo lugar. Sem fazer alarde, ela nos ajuda seqüestrando dióxido de carbono do ar e devolvendo-o em oxigênio que nos ajuda a respirar, nos ajuda a viver. Plantar é essencial também para nos alimentar com frutos e encantar nossos olhos com a beleza das flores”.

O evento foi realizado dia 24 de setembro pela Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) que promoveu a Campanha Primavera para Vida. Leonardo Boff também distribuiu autógrafo antes da palestra. A verba arrecadada com a venda dos livros dele será revertida para a CESE.

*Sugestão de leitura: Wilson Edward. A Criação – Como salvar a vida na Terra. Cia das Letras e Boff Leonardo. Responder Florindo – Da Crise da Civilização a uma Revolução Radicalmente Humana. Ed. Garamond.

  Sugestão de vídeo: A História das Coisas 

 * Elízia Carneiro é Jornalista e voluntária da Rede Corrente Viva


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